Veja como foi o simpósio da Rede D'or, no Rio de Janeiro, que discutiu a revolução digital na Saúde

12.06.2019 08:41

Hospital CopaStar, da Rede D'or São Luiz (RDSL), incentiva a revolução digital e o uso de novas tecnologias na Saúde em simpósio para médicos convidados no Rio de Janeiro e eu, André Ramos, CEO da Mindify, tive o prazer de ser um dos panelistas.


Neste artigo, faço uma relato da minha percepção do evento que foi intitulado “A Revolução Digital e Novas Tecnologias na Saúde”, meu relato tem ênfase na participação da própria Mindify. 

 Foto do diretor de Transformação Digital da RDSL, Ariel Dascal, que abriu a primeira mesa temática (Fonte: Portal Idor) 

O evento foi no Centro de Estudos do CopaStar, um auditório anexo ao hospital, que ficou lotado por médicos da Rede D’or e por convidados. Eles puderam ver apresentações recheadas de evidências do uso de tecnologias disruptivas na Saúde brasileira e puderam participar ativamente das discussões das quatro mesas temáticas, foram elas:


A medicina no século XXI - O que está mudando, por Miguel Aguiar Netto e David Schlesinger;

Inteligência Artificial na medicina - desafios e oportunidades, por Nívio Zivani;

Sistemas de apoio à decisão clínica - mito e realidade, por André Ramos;

Bitcoin e Blockchain - o que o médico deve saber, por Christian Aranha.


O evento começou com a organizadora, a Gabriela Van der Linden, deixando claro que o objetivo de tudo era ajudar a Rede D’or a não só manter, mas ampliar sua posição de destaque na Saúde brasileira aplicando inovação aberta. Ela também apresentou os panelistas, incluindo eu pela Mindify, os debatedores, assim como a plataforma de Inovação e Tecnologia do IDOR.

Plataforma de Inovação e Tecnologia do IDOR tem equipe focada em estimular o empreendedorismo. Dentre suas ações está a promoção de conexões dentre a Rede D'or São Luiz com investidores, serviços tecnológicos, setores corporativos, startups e o meio acadêmico.

O Dr. Miguel Aguiar que falou sobre tendências de mudança na Medicina, destacando o envelhecimento da população e os crescentes custos da Saúde que inviabilizarão muitas as empresas de Saúde em pouco tempo. Ainda na linha de tendências, o Dr. David Schlesinger, da startup Mendelics, explicou como sua empresa já está sendo utilizada para viabilizar a medicina de precisão a partir de testes genéticos de baixo custo. 


O tema Machine Learning ficou com o Dr. Nívio Zivani, da UFMG. Ele é um experiente pesquisador na área de IA e citou inúmeros casos onde a IA já está sendo utilizada na Saúde do Brasil, desde a detecção de fraudes a até diagnósticos por imagens. Por entender claramente a relevância to tema ele reiterou várias vezes de que não é possível ignorar o impacto da IA na Saúde do Brasil. Ficou absolutamente claro que a IA já trouxe resultados contundentes, porém pontuais, e agora chegou a hora desses resultados ganharem escala já que não há mais impedimentos técnicos.


Minha participação começou com uma apresentação onde procurei destacar que nosso propósito é ajudar a equipe médica a coletar dados clínicos do mundo real e fazer com que esses dados sejam úteis na própria rotina dos médicos que os coletaram para a tomada de decisões e para a gestão clínica. Dentre todos, o maior desafio dos sistemas de apoio à decisão clínica é: a falta de dados clínicos do mundo real de boa qualidade.
Dados clínicos de boa qualidade são primordiais para embasar os sistemas de apoio à decisão, porém dados clínicos de alta qualidade ainda não são realidade na maior parte dos hospitais do mundo. 

Os prontuários eletrônicos são importantíssimos e ajudam nas rotinas administrativas e em muitas outras, porém, normalmente, são pouco otimizados para a coleta de dados estruturados e para o apoio à tomada de decisão clínica. A Mindify então complementa os prontuários eletrônicos oferecendo um sistema de apoio à decisão clínica e, acima de tudo, um sistema de coleta de dados clínicos focado nas particularidades das as centenas de especialidades e subespecialidades médicas.

Para melhorar as decisões clínicas, primeiro ajudamos a capturar dados de boa qualidade, mas sem burocratizar a assistência. Para isso nossa solução foi criar uma versão diferente de formulário de coleta de dados para cada médico, uma versão genuinamente aderente à sua realidade de trabalho, isto é, fácil de usar e que gere feedback clínicos relevantes. Cada médico passa a ter então uma versão quase que exclusiva de formulário alinhado com o que de fato ele precisa e com isso fica simples a coleta de dados clínicos no mundo real. Depois, de posse desses dados já devidamente estruturados e validados pela própria Mindify, fazemos sugestões de hipóteses diagnósticas para as patologias de interesse do hospital. 

Para resumir, a Mindify entrega uma interface de coleta de dados e de apoio à decisão clínica fácil de usar e de baixo custo. Nossa “mágica”? Aplicar Inteligência Artificial de forma pragmática para resolver problemas que hoje emperram a rotina médica; também é um diferencial nossa capacidade de trabalhar em conjunto com qualquer prontuário eletrônico.

Ao final de minha apresentação, a Dra. Olga Ferreira de Souza, cardiologista da RDSL, moderou um debate sobre sistemas de apoio à decisão onde o Dr. Fernando Sogayar relatou um caso de sucesso sobre a temática no qual ele foi um dos idealizadores há cerca de 10 anos. A época ele não teve acesso as técnicas de IA modernas, mas mesmo assim conseguiu ótimos resultados. Seus resultados configuram uma prova cabal de que é sim possível usar sistemas de apoio à decisão clínica com sucesso no Brasil.

Ainda na mesa sobre sistemas de suporte à decisão, o debatedor convidado Dr. Alfredo Guarischi começou suas ponderações "batendo" muito. Ele bateu nos Prontuários Eletrônicos tradicionais seguindo sua conhecida linha de pensamento sobre a temática (veja um artigo dele sobre esse tema aqui). Segundo ele, o prontuário tradicional não ajuda o médico a registrar dados e a tomar decisões clínicas, mas sim aumenta dramaticamente a complexidade dos atendimentos os tornando clinicamente inviáveis. Dr. Alfredo, também me bateu por usar dados de uma pesquisa acadêmica para descrever o mercado que, segundo ele, são questionáveis, mas pontou um caminho sugerindo a substituição dos dados da pesquisa por dados do SUS. Finalmente, depois de bater muito, ele "soprou" dizendo: gostei da Mindify! \o/

Ao final dos debates da minha mesa, várias outras pessoas da plateia fizeram perguntas, mas, infelizmente, não consegui tomar nota dos nomes e nem dos detalhes das perguntas. De todo modo, compilei abaixo as principais perguntas e as minhas respostas para o contexto de hospitais que já tenham prontuário eletrônicos operando:

Perguntas e respostas da plateia do seminário
A Mindify é um prontuário eletrônico?

Não, a Mindify não é um prontuário eletrônico e funciona melhor se for integrada a um deles. Ela é uma interface, uma tela, de coleta de dados clínicos e de apoio à decisão clínica que complementa os prontuários eletrônicos. 


Médicos têm que registrar dados na Mindify e refazer o trabalho no prontuário eletrônico? 

Não, todos os dados inseridos na Mindify, já devidamente estruturados e validados, podem ser enviados ao prontuário eletrônico por uma API de integração. Não há retrabalho. 


O que Mindify agrega em relação ao prontuário eletrônico?

Simplifica, MUITO, a coleta estruturada de dados e apoia decisões clínicas provendo feedback aos médicos, ainda durante as consultas, em caso de prováveis erros clínicos ou em caso de detecção de suspeitas diagnósticas.


Como os dados estruturados podem ajudar na operação do Hospital?

Dados estruturados são essenciais para viabilizar sistemas de apoio à decisão e o reuso (compartilhamento) dos próprios dados dentro da própria equipe médica que os gerou. Dados passam a ser mais confiáveis e então evitam retrabalhos e erros. 


Como a Mindify coleta dados estruturados?

Usamos IA para otimizar as interfaces; a tela do software muda automaticamente de acordo com a especialidade do médico e com os sintomas do paciente. Na prática, todo o atendimento pode ser registrado com alguns cliques.


O que a Mindify faz com os dados clínicos estruturados coletados?

Os dados são centrados nos pacientes e, por padrão, são privados não cabendo à Mindify os utilizar para quaisquer fins. Contudo, com autorização expressa das partes esses dados podem ser utilizados para melhorar nossa IA ou podem até ser compartilhados com outros hospitais, repito, a pedido do paciente e com autorização do médico.


Como a Mindify ajuda em operações com múltiplos hospitais, onde cada um tem um prontuário eletrônico diferente?

A Mindify é especialmente útil para grandes operações na medida em que funciona como uma camada de coleta de dados, de apoio à decisão e de gestão clínica agnóstica ao prontuário eletrônico. Os hospitais podem usar a Mindify para simplificar, padronizar e gerenciar a aplicação de protocolos; depois, os dados validados e estruturados podem ser exportados para os diferentes prontuários eletrônicos. As equipes médicas de gestão clínica se beneficiam, enquanto se mantém as operações administrativas de cada hospital. 


Mindify funciona em smartphones e tablets? 

Sim, a Mindify pode ser utilizada pela Web em computadores, celulares e tablets. Todas as interfaces são responsivas para automaticamente se adaptar aos diferentes tamanhos de telas.


Como começar a usar a Mindify?

Recomendamos projetos piloto de curto prazo com escopo e custo controlado. Com os resultados práticos dentro das especificidades de áreas do hospital fica fácil escalar a Mindify para outras operações.


Soluções genéricas não resolvem. A Mindify consegue ser aderente ao “chão de fábrica” hospitalar? Como? 

Sim, a Mindify é aderente ao "chão de fábrica" pois são os médicos que configuram seus protocolos clínicos em um processo simples auxiliado por um framework baseado em IA. Mesmo protocolos complexos podem ser parametrizados em horas. Depois, os usuários médicos usufruem de uma interface proativa e baseada em cliques que dispensa a digitação de textos para a maioria dos casos.

Finalmente, agradeço a Rede D’or São Luiz pela oportunidade de discutir inovação em Saúde e parabenizo a Plataforma de Inovação e Tecnologia do IDOR pela brilhante execução do evento e dos trabalhos continuados em favor da inovação aberta.